14/09/2018

Fotógrafo de 35 anos é ‘adotado’ pelo tio em Araraquara, SP, após pedido na Justiça

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Um homem de 35 anos foi ‘adotado’ pelo tio, irmão de sua mãe, em Araraquara (SP). O médico Luiz Alberto Fogal entrou com um pedido judicial de reconhecimento sócio afetivo do sobrinho e agora filho, o fotógrafo Paulo André Fogal.

Sofrimento

A identidade do fotógrafo nunca teve o nome do pai biológico. “Eu ficava muito triste por não ter uma pessoa como um pai nos documentos”, disse o fotógrafo.

Apesar disso, o sentido da palavra era claro para Paulo, que cresceu sabendo que tinha em quem se espelhar dentro de casa. “Meu tio, irmão da minha mãe, a pessoa que me criou, cuidou, deu carinho, considero muito ele e o amo”, concluiu Paulo.

“Desde o nascimento até hoje eu o acompanho, passo a passo”, disse Luiz.

O sentimento entre tio e sobrinho era de pai e filho e, por isso, resolveram oficializar no papel essa relação. “Eu que dei a ideia, ele às vezes até queria, mas nunca me disse”, contou Luiz.

Processo

Foi então que resolveram ir até o cartório para registrar o documento do Paulo com o nome do Luiz. O cartório recebeu com estranheza o pedido diferente e eles tiveram que levar para a Justiça.

“É um caso bastante atípico, uma paternidade sócio afetiva reconhecida entre um tio e um sobrinho, que na história da família se colocou como pai, preenchendo os vazios que o pai biológico deixou”, explicou o advogado Paulo Franco.

O processo foi demorado e os argumentos fora baseados na vida de Paulo contada por fotos. Elas foram utilizadas para provar que o tio sempre esteve presente na vida dele.

“Tivemos que vencer algumas considerações do pai ser irmão da mãe, então isso trouxe algumas questões que precisaram ser enfrentadas no processo”, ressaltou Franco.

Decisão

No primeiro momento, o juiz foi contra e pediu uma avaliação de um psicólogo e de um assistente social.

“Falou mais alto a questão de que o tio ser irmão da mãe não tem importância e deve imperar como uma escala de grau maior de relevância a questão da presença, afeto, carinho do tio ao longo da história dessa pessoa como pai em virtude da ausência do pai biológico”, completou o advogado.

Na decisão, o juiz ressaltou que “Pai, portanto, não é apenas aquele que concede seu material genético para a concepção do filho, mas, sobretudo, aquele que se apresenta socialmente como tal, que dá educação, assistência e, em especial, afeto. (…) pai é quem cria”.

O próximo passo será mudar as certidões. “Queria dizer que eu amo muito ele, ele é minha vida, sem ele eu não teria a referencia que eu tenho hoje. Ainda o chamo de tio, mas já vai ser pai a partir de agora”, disse Paulo emocionado.

Fonte: G1

 

 

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