Não vai ter golpe: o que aprendi com Fátima e Bonner

Conrado Paulino da Rosa[1]

 

Considerando o avanço das comunicações e, talvez, a mudança das opções editoriais, percebi, ao longo do tempo, uma perda de interesse em publicações estilo tabloide que estampam na capa a foto de uma personalidade e, para atingir uma boa venda, uma manchete bombástica sobre sua vida pessoal.

Todavia, um fenômeno capaz de acabar com a dualidade Dilma-Temer ocupa o espaço das redes sociais, nas rodas de conversa, nas esquinas e elevadores: o final do relacionamento de Fátima Bernardes e William Bonner.

Não é do interesse de ninguém saber os motivos que levaram ao fim. Uns dirão que foi em razão de o casal deixar de trabalhar juntos, outros vão dizer que foi em razão da famosa dança de Fátima com a cantora Anitta. Todas as teorias conspiratórias que, em breve, vão apresentar as possíveis causas são de utilidade zero para os estranhos à relação. O fato é que a repercussão dessa notícia indica a necessidade de reavaliarmos o modo de ver os relacionamentos contemporâneos.

Já perdi a conta das vezes em que já escutei que “agora, perdemos a esperança no amor” ou “se não deu certo com eles, não dará certo para mais ninguém”. Todavia, não consigo deixar de analisar tal discurso como a ainda presente idealização de relacionamentos nos moldes dos quais os contos de fadas puderam nos introjetar.

As relações não são perfeitas e, de uma vez por todas, precisamos atentar para a realidade existente – fora da ficção – para além do “e viveram felizes para sempre”.

Os finais de relacionamento servem, também, para o encontro de uma felicidade que ambos (ou às vezes, no início, apenas um) passam a buscar fora daquilo que foi projetado inicialmente. Destaca-se, antes de mais nada, que não se está aqui argumentando a defesa da descartabilidade imediata a qualquer dificuldade no relacionamento, mas sim, perceber a ruptura como oportunidade de mudanças positivas na vida de ambos.

No momento em que modificarmos a ótica do “tantos anos de dedicação… para não dar certo” pela postura de que, certamente, foi um relacionamento que deu certo por tantos anos, talvez poderemos ajudar essas pessoas a uma saída do relacionamento de forma mais acolhedora para proteger, principalmente, os filhos que surgiram dessa união.

Depois de meses de discussão da existência ou não de um golpe, fica a reflexão para que não façamos o impeachment das nossas esperanças no amor, mas sim, possamos vivenciá-lo sob a ótima preconizada por Vinicius de Moraes: “que seja eterno enquanto dure”.

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[1] Advogado especializado em família e sucessões. Mediador de conflitos. Presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM / Seção RS. Doutorando em Serviço Social –  PUCRS.  Mestre em Direito  pela UNISC, com a defesa realizada perante a Università Degli Studi di Napoli  Federico II, na Itália. Professor do Curso de Direito da FMP – Fundação Escola Superior do Ministério Público, em Porto Alegre. Autor de obras sobre direito de família e mediação de conflitos. www.conradopaulinoadv.com.br / contato@conradopaulinoadv.com.br

As questões familiares necessitam de tratamento especializado, comprometido e acolhedor. Conrado Paulino da Rosa Advocacia e Consultoria oferece atenção integral e individualizada, contando com equipe experiente e com formação multidisciplinar, atuando de modo colaborativo e em parceria com o Instituto de Psicologia – Clínica e Jurídica Prof. Dr. Jorge Trindade.

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