Bebida, senhor?

Sou daquele que, ao sentar no avião, antes mesmo de a porta fechar, já passo automaticamente a viajar ao mundo dos sonhos. Não importa se a viagem é curta, o fato é que o meu sono é longo.

Para todos aqueles que comungam do sentimento de que a porta de embarque é um sonífero, acho pouco provável que não pagariam a passagem em dobro para que as instruções das comissárias e as informações do comandante fossem passadas via linguagem dos sinais.

Ultrapassadas todas as recomendações – que, confesso, duvido que alguém preste a atenção e, também, que em caso de perigo alguém possa segui-las – volto a me entregar aos braços do morfeu como se estivesse na melhor cama do mundo. Em meio aos sonhos, inicia lá no fundo aquele barulho de chuva e trovoadas que, ao despertar, percebo que nada mais é do que o plástico que envolve o sanduíche oferecido pela companhia aérea e das mesinhas sendo abertas desesperadamente por passageiros que se recusaram a pagar na sala de embarque um pão de queijo a preço de buffet livre.

Chego a pensar que meu sono é maior do que a vontade de comer. O carrinho das comissárias se aproxima, o barulho aumenta e a dúvida me consome. Eis que chega a vez da fila sentada a minha frente e, logo em seguida, a minha vez de ser interpelado: “Bebida, senhor?”

Como o destino ainda está longe, mesmo que contrariado, aceito. Internamente aquele sentimento desagradável de ser acordado fica palpitando e, tal qual um ranzinza, martelando o porquê de existir serviço de bordo.

Devidamente alimentado e restabelecido das faculdades mentais e do bom humor fico pensando o quanto deve ser difícil ser Deus frente aos desejos do ser humano. Afinal, quando não temos serviço de bordo ou nos é oferecido, no máximo, uma água e um cardápio, costumamos também achar um absurdo depois de pagar uma passagem tão cara.

Em tempos de catarses via redes sociais que, constantemente, viram o muro das lamentações seja porque está muito frio ou está muito calor, seja porque começou ou terminou o horário de verão, seja porque a Angelina Jolie e o Brad Pitt não estão mais juntos, penso que cada um dos lados “contra” ou a “favor” de qualquer assunto, viveria mais feliz se pudéssemos ser menos pessimistas e mais otimistas, mais acolhedores e menos reativos, mais introspectivos do que impulsivos.

Saber conviver harmoniosamente nas redes sociais, atualmente, é exceção. Quem não consegue agir diferente, fica a dica: coma um sanduíche e tome um suco antes de continuar na internet. Talvez, dessa forma, o espírito maligno do mau humor e da antipatia possam desaparecer depois dessa sessão do descarrego. Se isso não ajudar, acredite: “há tanta vida lá fora”, como diz a música do Lulu Santos. Quer mudar o mundo de verdade? Mude a vida de alguém nem que seja com um sorriso, que pode ser real ou virtual : )

Conrado Paulino da Rosa (advogado, presidente do IBDFAM-RS, professor do curso de Direito da FMP)

As questões familiares necessitam de tratamento especializado, comprometido e acolhedor. Conrado Paulino da Rosa Advocacia e Consultoria oferece atenção integral e individualizada, contando com equipe experiente e com formação multidisciplinar, atuando de modo colaborativo e em parceria com o Instituto de Psicologia – Clínica e Jurídica Prof. Dr. Jorge Trindade.

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